SANTO ANDRÉ, 16 DE MAIO – A rotina de prazos, telas e concreto da Universidade Federal do ABC (UFABC) deu lugar a um silêncio incomum. Em uma iniciativa conjunta da ação universitária São Paulo de Tarso e do apostolado União e Libertação, estudantes reuniram-se para uma tarde dedicada à beleza eterna: uma imersão na mística do Canto Gregoriano seguida da celebração da Santa Missa no Rito Tridentino.
A programação teve início com uma masterclass sobre o Canto Gregoriano, ministrada por um monge beneditino e voltada especialmente para leigos. Longe de ser tratada como uma peça de museu ou um mero estilo musical, a melodia própria da Igreja foi apresentada como uma linguagem viva capaz de abrir uma porta para o transcendente.
Na homília, destacou-se como o Gregoriano possui a capacidade de acolher sentimentos humanos — alegria, dor, esperança — sem se perder neles. Há uma preocupação estrutural em não agitar emoções, às ordenando e elevando o coração para além das preocupações imediatas. Essa preparação da alma culminou na liturgia, onde o jovem universitário, habituado a um mundo de ruídos e utilitarismo, pôde experimentar o rito como uma "clareira" no tempo.
A beleza que ordena e orienta
A celebração, presidida pelo mesmo monge, apresentou-se como um espaço onde a inteligência não é apenas técnica, mas se abre para o que é sagrado. Em um ambiente acadêmico marcado pelo pragmatismo, a beleza se impõe como necessidade fundamental da alma humana, não podendo ser meramente categorizada como luxo opcional.
A imagem do monge elevando a hóstia diante de estudantes em uma universidade pública resume a essência deste apostolado. Atuar no mundo não significa recuar para o conforto das sacristias, mas levar a luz da tradição exatamente onde ela parece mais improvável.
Presença e restauração
O União e Libertação acredita que o verdadeiro progresso espiritual nasce da restauração da ordem e da reverência na alma humana. Ver jovens buscando espontaneamente o que o mundo moderno rotula como "antigo" ou "defasado" é um sinal de esperança, mostrando que o coração humano permanece capaz de reconhecer o que foi feito para ele — sentido no silêncio de uma sala de aula transformada em altar.
Momentos como este recordam que a beleza tem uma função nobre: ela não serve apenas para enfeitar a vida, mas para dar o rumo correto ao coração que busca a Verdade.


