Contos
As Três Faces de um Homem
Trombetas soavam pelo firmamento e a Terra rachava-se em quatro partes, cidades dissolviam-se em cinzas e uma luz tremenda e absoluta resplandecia pelo vácuo do universo. O tempo havia se encerrado e sinos soavam incessantemente. Na Cidade Santa intercalavam-se as linhas que dividiam o globo...
União & Libertação
Apostolado Cristão

Trombetas soavam pelo firmamento e a Terra rachava-se em quatro partes, cidades dissolviam-se em cinzas e uma luz tremenda e absoluta resplandecia pelo vácuo do universo. O tempo havia se encerrado e sinos soavam incessantemente. Na Cidade Santa intercalavam-se as linhas que dividiam o globo terrestre: eis o Vale de Josafá. Sob o firmamento de bronze reuniam-se povos inteiros — a nobreza, mendigos, sacerdotes, mães, soldados, crianças, sábios, jovens — e toda a criação em silêncio sepulcral.
Ali estava o Rei da Glória em tremenda majestade, sentado em Seu trono. O Juiz Severo diante de quem os anjos escondem a face, cujo olhar atravessa as juntas e as medulas tal qual fogo de ourives. Aquele que conhece cada pensamento antes que ele seja pensado, cada intenção antes que ela se transforme em ato. Sua destra empunhava um cetro de ferro para esmagar as nações rebeldes. Anjos traziam o Livro escrito no qual tudo está contido, pelo qual o oculto apareceria e nada ficaria impune. Os mortos ressurgiram na nudez absoluta de suas consciências. Anjos tremiam, demônios acorrentados rangiam os dentes, e os homens — todos os que foram, são e serão — estavam de pé.
Três figuras de feições idênticas foram apresentadas perante o trono. Um mesmo homem desdobrado em três destinos.
Cristo deteve-Se diante do primeiro que, arrastado, ajoelhou-se, sem forças para fazê-lo por conta própria. Com a face mais terrível que mil sóis, Seus olhos eram duas fornalhas, e o livro da vida, aberto na página negra, flamejava em Sua mão.
«Filho, por que fostes condenado?» — perguntou o Juiz.
Senhor, eu Lhe direi, e que estas minhas palavras sejam o último testemunho que dou contra mim mesmo, porque nada mais tenho a perder com a Verdade, pois tudo já foi perdido. Em vida não matei ninguém com as mãos e tampouco roubei o tesouro alheio. Diziam de mim que eu era «um sujeito decente». Vivi de pequenas traições, por décadas dizendo «depois», «depois», «depois»... até chegar o dia em que não havia mais «depois». Quando via meu irmão pecar, poderia tê-lo admoestado, mas calei-me, porque calar-me era cômodo e falar me custaria a simpatia dos homens; preferi engolir a exortação que queimava em minha língua por covardia. No confessionário, tantas vezes ocultei meus pecados julgando serem escrúpulos, ou neles não haver gravidade... E na hora da oração, roubava os Vossos minutos, Senhor, para o sono e para as telas, pois «Vós sois misericordioso, e entenderia». Ao acordar proclamava: «Hoje farei a Vossa vontade», e imediatamente Vos vendia ao demônio pelo prazer miserável. Quando era chamado por Vós, sempre estava ocupado! Em um dia era o trabalho, em outro a família, noutro o descanso merecido — e hoje, nada mais tenho para preservar.
Ah! Se tivesse ouvido meu anjo da guarda, teria evitado este fogo sempiterno! Se tivesse resistido à primeira impureza, estaria agora nos campos de lírios! Se tivesse gritado a Verdade em vez de sorrir diante do erro, contemplaria a Vossa magnânima e doce face por toda a eternidade! Mas ai de mim, que fui covarde; ai de mim, que amei a mim mesmo até o enjoo e vendi a alma por um prato de lentilhas... E agora, sangue de Judas, miséria de homem! Meu Deus, meu Deus, por que Vos abandonei? Permanecereis longe de minhas súplicas e de meus gemidos. Meu Deus, clamarei e não me respondereis, implorarei de noite e não me atendereis. Por que não me foi dada a morte ainda no ventre de minha mãe?!
Agora, os demônios rompem em gargalhadas infernais e me apontam seus dedos pútridos: «Eis o soldado de Cristo! O membro da milícia que vendeu a alma por uma moeda! Rasteja, verme! Patético! Objeto e brinquedo nosso, escárnio eterno!»
Senhor, agora sentirei o fogo que não se abrasa para consumir, mas conserva para atormentar; o verme que não morre, mas rói a memória de cada graça desprezada! Sinto em meu paladar a amargura, as lágrimas e a tristeza consumirem minha língua por cada mexerico indevido. Estes meus olhos ardem com a vista dos imensos braseiros, labaredas de fogo e torturas sem fim, sem jamais derreterem, perscrutando a terrível feição das almas que a todo momento ouço chorarem, gemerem, gritarem e blasfemarem contra Vós, Vossa Igreja e todos os Vossos Santos. E este odor de enxofre, a fumaça e a podridão, consumirão o meu peito e se solidificarão em pixe negro para aumentar o meu tormento, afogando-me!
E o pior! O pior é o desgosto de Maria Santíssima! Volta o rosto com um olhar de mil mortes, como uma mãe que chora por um filho que a renegou, e eu, suplicando pela misericórdia desta santíssima face, a verei pelas costas, para sempre! E meu anjo da guarda... depõe a espada e aponta-me o dedo, com lágrimas de ferro: «Eu vos guardei, mas tu não me expulsaste. Segui-te como sombra e cuspiste-me na face. Agora, para sempre, serás o que escolheste ser: um condenado.» Ai do dia em que fui batizado, pois minha infidelidade me aumenta os tormentos; ai de mim, filho de Eva, aquele que perpetuou este sofrimento por toda a sua descendência. Se pudesse, negaria a Deus agora, mas não posso, porque Vós existis, e Vos vejo, e sei que estou perdido por todos os séculos dos séculos!
Vossa sentença ressoará em meus ouvidos por toda a eternidade: «Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.» Clamarei uma gota de água e só receberei cinzas, implorarei por um segundo de trégua e a eternidade se estenderá como um deserto sem fim. Arderei para sempre neste lago de enxofre, gritarei mas ninguém me ouvirá! Rasgarei minha carne com os dentes, mas ela nunca se despedaçará o suficiente para que morra de novo. Sentirei esta tristeza tão desesperada e pungente, contemplando sem consolo o peso de não ter me arrependido! Os demônios cravam suas garras em meus membros, mordem-me com suas presas animalescas e fazem com o meu corpo as mesmas perversidades atrozes que não confessava por vergonha no fundo deste abismo escuro!
Serei réu para sempre, objeto de escárnio das legiões infernais, escória do universo, porque rejeitei o tesouro do Céu! Ouvi bem, vós que ainda tendes tempo: isto é só o primeiro instante de uma eternidade que apenas começa!
Cristo, com um olhar de compaixão severa, voltou-Se para o segundo, cuja face estampava vergonha translúcida, desbotada por lágrimas.
«Filho, por que não fostes aquilo que sonhei para vós?»
Senhor, não pequei por malícia. Não blasfemei, mas calei diante da blasfêmia; não persegui os Vossos, e tampouco os defendi. Em cada pequena cruz do dia — o vizinho importuno, a tarefa repetitiva, o incômodo de levantar mais cedo para a oração e de buscar a Vossa maior glória em minhas ações —, dizia: «Basta o necessário, o heroísmo é para os santos.» Assim, Senhor, fui um espectador da Vossa Paixão. Provei do sangue que derramastes no Calvário, mas não o recolhi. Ouvi o Vosso chamado no Evangelho, mas não o segui. Ah, meu Pai, adormeci o Espírito Santo em meu âmago, embalei a consciência com cantares de autoengano e troquei Vossa coroa de espinhos por uma almofada de penas.
Fui o morno que prometeste vomitar de Vossa boca, e eis-me aqui, testemunhando a minha miséria. Em vida, O disse: «Vales a pena, mas não o suficiente para que eu Te dê tudo.»
Ia à Santa Missa e contava os minutos, rezava por hábito e chamava isto de fidelidade; via o sacrifício bater à minha porta e respondia «não agora», «estou cansado», «já tenho muitos problemas», «Deus compreenderá». E Vós, Senhor, sempre compreendestes perfeitamente que eu O estava traindo aos poucos, com a anestesia lenta, covarde e homeopática da mediocridade que não tem a coragem de rebelar-se abertamente e tampouco a generosidade de entregar-se em tudo.
Vejo agora, Senhor, as almas que se perderam por minha inércia, os rostos que Vos blasfemam e sofrem sempiternamente por minha culpa e negligência. Meu pequeno e tão amado filho, a quem deixei de corrigir com rigor amoroso para não «ferir sua liberdade» — ei-lo no Inferno, um grito que atravessa as labaredas de fogo tal qual lança! Meu querido amigo, a quem ouvi blasfemar jocosa e casualmente e sorri para não criar caso — ei-lo nas garras do demônio, e ele me amaldiçoa odiosamente por cada correção que minha boca ocultou. Minha tão amada esposa, a quem jurei santificar e proteger tal qual Vós prometestes à Igreja! A ela o meu exemplo foi a tibieza, rezando o terço com os olhos na televisão, no celular, nos jogos, em qualquer lugar menos em Maria Santíssima! Eis minha amada na profunda escuridão do abismo! Este rosto acusador, que me perseguirá por toda a eternidade, sedenta da felicidade que um dia jurei compartilhar junto a ela!
Vejo estas e tantas outras faces... familiares, amigos, irmãos, conhecidos e inúmeras pessoas a quem poderia ter conhecido, a uma distância infinita, longe, tão longe... E talvez esta seja a minha tortura: contemplar por toda a eternidade o Evangelho que não espalhei e o apostolado que não cumpri; se tivesse sido mais ousado, se tivesse Vos amado mais, teriam se salvado, cantando neste exato momento nos coros celestiais! A omissão, descubro agora, pesa-me tanto quanto a malícia, porque também é uma escolha... escolha covarde de não escolher.
O fogo que me é reservado é o Vosso amor, Senhor, e por isso dói mais que o inferno. Vejo, com olhos que já não podem mais se enganar, o que poderia ter sido a minha vida se tivesse amado sem reservas e limites. Vejo a glória que poderia Vos ter dado no tempo que já passou, e que jamais voltará para que eu a recupere. Este tempo está morto, e eu, que temia tanto a morte do corpo, descubro agora que a verdadeira morte foi o tempo desperdiçado em mornidão — e essa morte não tem ressurreição.
Hei de chegar aos Céus, Senhor, e contemplarei a Vossa glória, mas sempre à distância. Sei disso e Vos agradeço de joelhos, pois esta é a Vossa pura misericórdia. Mas hei de chegar tarde, pobre e envergonhado, tal qual um convidado que chega à festa ao fim do banquete, com as mãos vazias do que poderia ter trazido, vestido nos farrapos da generosidade que recusei dar. E que direi eu, miserável, quando contemplar os lugares vazios em Vosso banquete que poderiam ter sido ocupados por aqueles que deixei perecer?
Ah, quantas glórias eu Vos teria dado se tivesse sido fiel no pouco! Portanto gemerei como réu, a culpa ruborizará meu rosto pela eternidade! Nunca poderei cantar o hino de ação de graças com a plenitude dos justos! Poupa-me, ó fonte da piedade!
Por fim, o Justo Juiz inclinou-Se, e Sua face, antes terrível, irradiou uma alegria serena mas extasiante diante do terceiro, que brilhava tal qual a lua cheia refletindo o Sol. Com uma voz melodiosa e um olhar de satisfação e júbilo, Cristo perguntou:
«Filho, por que fostes tão agradável perante Meus olhos?»
O justo prostrou-se com humildade profunda, adorando Aquele que estava perante sua visão. Sem temor algum, respondeu com alegria contida:
Senhor meu Deus e imperador deste meu fraco coração. Vos devo a verdade, e somente a verdade, que é esta: não fui feito de barro diferente; a carne fraca que tentou aos outros dois também a mim atormentou insistente e violentamente por todos os dias de minha pacata vida. Mas, Senhor, sempre que era tentado a acolher migalhas douradas, quando o mundo prometia-me que jamais seriam notadas as minhas faltas se cedesse um pouco, eu me horrorizava. Como poderia, meu Pai e Mestre, desviar meus olhos do sacrifício que Vós fizestes por mim? Qual direito tinha eu de Vos vender e desertar a milícia de tão nobilíssimo e amoroso Rei? Jamais!
Ao tocar do despertador, saltava da cama como um soldado ao clarim, pois sei que Vosso amor não tolera preguiçosos. Quando o murmúrio queria apossar-se de minha língua, mordia o silêncio e oferecia a dor, por mais ridícula que fosse, como incenso. Quando a vaidade sussurrava elogios, abraçava o desprezo como esposa! O corpo implorava por prazer, e todas as vezes recitei as chagas de Vossas santíssimas mãos. Cada pensamento vão foi combatido, cada orgulho nascente esmagado; matava a mim mesmo a cada hora, em cada pequena trincheira desta vida miserável, buscando incessantemente a minha própria morte para que Vós pudésseis viver em mim.
Repetia incessantemente: «Não se faça a minha, mas a Vossa vontade, Senhor.» Eu sempre soube que era fraco, e tantas vezes chorei por não Vos ter dado tudo o que gostaria, meu bom Jesus... Lembra-Te, meu bom Pai, de quantas vezes rezei pedindo a força de vontade quando esta me faltava? A santidade, quando todo o meu ser queria Vos abandonar? As virtudes mais necessárias para a minha salvação, quando a consciência insistia que eu jamais as alcançaria? Cristo, ouvi-me! Onde minha natureza fraquejava, Vossa graça abundou por meio da Santíssima Eucaristia, sustentando-me em cada pequena decisão.
Penitências, esmolas secretas, rosários, comunhões, o confessionário... são tantos os presentes que dispondes àqueles que Vos são queridos, Mestre... Quanto mais os buscava, maior era a minha sede de Vós! Sempre, sempre e sempre, Senhor Jesus, quando era chamado por Vós, respondia instantaneamente! Dar-me ao luxo de descansar? Privar a alma alheia do apostolado que me chamastes para fazer? Antes que me amarrassem o pescoço e me jogassem às profundezas do mar, a saber que uma única alma perdeu-se devido à minha inércia!
Tantas vezes a Verdade custou-me amizades... Aceitei o desprezo, a incompreensão, o riso de escárnio daqueles que me chamavam de exagerado, antiquado e fanático, e foi justamente ao abraçar este desprezo, tal qual minha cruz, que encontrei doçura inexplicável. Não esperava consolações, nunca fui digno delas, e ainda assim Vosso sorriso sempre resplandeceu perante minha face nos dias mais amargos. Mas eu vim de Deus e retornarei a Deus! Deus amoroso, Vossa luz me será dada, me iluminará para a abençoada vida eterna!
Ressuscitarás, sim, ressuscitarás, meu pó! Vida imortal ser-te-á dada por Aquele que te chamou! Crê, meu coração, não perderás nada! Alcançarás aquilo que amaste, pelo qual lutaste! Não nasceste em vão, não viveste nem sofreste em vão! Prepara-te para viver! Ó dor, que penetra tudo, de ti fui separado! Ó morte, que conquistas tudo, agora foste conquistada! Com as asas que ganhei, alçarei voo para a Luz que nenhum olho perscrutou! Meu coração ressuscitará em um instante!
Agora, Senhor, perdoai-me se a língua não alcançar o que os olhos contemplam! Gozarei da visão de Vossa Santíssima Face! Esta visão inundar-me-á com alegria que nunca sacia, porque sempre se renova! Nela, verei o abismo de amor inesgotável. Este corpo, antes fraco e inconstante, ressuscita glorioso, livre para sempre da fome, da dor e da morte; leve tal qual a luz, diáfano como o cristal, capaz de atravessar os muros do Paraíso e pousar sobre a imensidão das nuvens do Vosso Reino. Ouço o cântico dos serafins: «Santo, Santo, Santo!» Assentarei ao banquete das núpcias do Cordeiro, onde cada sabor será uma nova revelação do Vosso amor pela humanidade, onde a fome é saciada e no instante seguinte renasce mais doce! Ó posse eterna e sempre nova do Bem que não se esgota jamais!
Estou na companhia de todos os santos — os grandes, cujos nomes os homens gravaram em altares, e os pequenos, anônimos, que ninguém celebrou na terra e que aqui brilham como sóis. Vejo o sereno sorriso de São José, sinto as rosas perfumadas de Santa Tereza, posso sentir o ardor de Santo Inácio em Vos louvar, e contemplar a discussão sobre a grandeza que só agora perscruto entre Tomás, Agostinho e Crisóstomo! Os mártires contar-me-ão suas histórias de coragem, e contemplarei a fidelidade de meus antepassados que sempre intercederam por mim em vida!
E, sobretudo, Senhor, há o sorriso d'Ela. Mil vezes na escuridão da terra implorei por ele, e agora, o sorriso de minha Mãe, de quem busquei ser o mais diligente escravo, será fonte de consolo eterno. Posso ouvi-la: «Filho, eu te guardarei sob meu manto, e agora estarás para sempre na casa de meu Filho.» Bom Jesus, agora poderei repetir junto a Ela, verdadeiramente: «Meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» — e poderei me regozijar por ter, em vida, permitido que Nossa Senhora moldasse este meu espírito tal qual argila, para que nele fosse formada a Vossa Face! Contemplarei todas as obras advindas do Vosso amor por todos os séculos! Vosso Sagrado Coração será meu por toda a eternidade, meu bom Jesus, sem jamais perdê-Lo! Possuirei a perfeita alegria de saber que nenhum sofrimento ou peleja foi em vão, pois tudo foi entregado a Vós!
Ao fim da fala do justo, um silêncio sepulcral invadiu o vale. O Severo Juiz levantou-Se de Seu trono, e Seu olhar, antes dividido entre os três, concentrou-se em um só ponto.
«Filho, não vês? As três faces são vós, fragmentado pelos teus dias na terra. Agora que me escutas, ainda vestido de carne, ainda tens tempo para escolher. Não te enganes pensando que isto foi apenas uma história.
Não há quarta face; há somente estas três, e tu hás de ser, neste exato instante, uma delas. Teu Anjo da Guarda não dorme, e registra incessantemente o processo que há de ser lido sobre ti. Nenhuma palavra ociosa, nenhuma covardia disfarçada e nenhuma omissão por inércia escapará ao registro.
O réprobo, o morno e o eleito comparecem todos os dias diante do tribunal do agora. O veredito é dado a cada minuto em que a graça se faz presente e a vontade responde positiva ou negativamente. O condenado és tu, quando hoje, ao saíres daqui, ignorares o que ouviste como se tivesse saído de boca qualquer; o medíocre és tu, quando adiares o uso dos teus dons por desânimo, condenando o próximo; e só serás eleito se, neste exato momento — e não no amanhã que talvez não exista para ti —, aceitares morrer para ti mesmo.
Decide-te! Porque Eu vos digo: se escolheres o mundo, o diabo rirá de ti como riu do réprobo; se escolheres a tibieza, as almas que perderes amaldiçoar-te-ão no fogo; mas se escolheres a Cruz, Eu vos darei a Minha coroa. Morre agora para ti mesmo, ou vive para sempre na morte. O Céu se conquista com violência, e só os violentos o arrebatam — e o dia lacrimoso está mais perto do que pensas.
«Filho, que farás agora, com o tempo que ainda te resta?»
Sobre o Autor
Étore Cagno é o VII Administrador Apostólico e atual Diretor de Relações Institucionais do União e Libertação. Bacharel em Relações Internacionais e em Ciências e Humanidades pela UFABC, escreve regularmente sobre fé, sociedade e cultura, com o propósito de oferecer ferramentas intelectuais e espirituais para quem busca uma vida de entrega total a Deus.
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Formação Intelectual, Vida Espiritual e Serviço Caritativo

