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O agronegócio brasileiro e a soberania alimentar: ex-ministro Antônio Cabrera analisa a vocação do campo
Em palestra em São Paulo, o ex-ministro Antônio Cabrera analisou a transformação do agronegócio brasileiro em potência global. O encontro destacou dados sobre produtividade no campo, preservação privada e a importância da livre iniciativa e da subsidiariedade.
União e Libertação
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SÃO PAULO, 16 DE SETEMBRO — O empresário e ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera Mano Filho, ministrou uma palestra dedicada ao papel do agronegócio nacional e à posição do Brasil no abastecimento global. O encontro, que reuniu jovens estudantes e profissionais ligados ao apostolado União e Libertação, abordou a trajetória do setor produtivo e os fundamentos econômicos que transformaram o país em uma potência agrícola.
Cabrera, que assumiu o Ministério da Agricultura aos 29 anos — tornando-se o mais jovem ministro de Estado da história brasileira —, compartilhou sua experiência como produtor rural, médico veterinário e gestor. Com atuação no comando do Grupo Cabrera e em entidades civis como a Sociedade Bíblica do Brasil, o palestrante apresentou um panorama técnico sobre a evolução da produtividade no campo.
A revolução tropical e os números do setor
Durante a exposição, foram destacados dados estruturais que ilustram a transformação do campo brasileiro nas últimas décadas. Até a década de 1970, o Brasil dependia da importação de alimentos básicos. A partir de investimentos em pesquisa científica, tropicalização do solo e melhoramento genético, o país converteu terras ácidas do Cerrado em áreas de alta fertilidade, tornando-se o único país de clima tropical a figurar entre os grandes exportadores mundiais.
Atualmente, a produção agrícola brasileira é responsável por alimentar cerca de 800 milhões de pessoas ao redor do globo, o que equivale a dez vezes a população nacional. Além de liderar o mercado internacional de soja, café, açúcar e suco de laranja, o Brasil desenvolveu a capacidade de realizar até três safras no mesmo ano em uma única área produtiva — a chamada "safrinha" —, aproveitando o ciclo de chuvas e o uso intensivo de tecnologia.
Para além do papel de protagonismo na exportação global de grãos e proteína animal, os ganhos contínuos de produtividade no campo desempenham um papel social direto nas cidades, funcionando como o principal fator de contenção da inflação alimentar e garantindo o acesso de famílias de menor renda à nutrição básica.
Sob o ponto de vista da preservação, o modelo brasileiro exige que os produtores rurais mantenham entre 20% e 80% da área de suas propriedades rurais cobertas por vegetação nativa, dependendo do bioma. Mais de um quarto do território nacional é preservado dentro de fazendas privadas, um índice de conservação mantido diretamente pelos agricultores que não encontra paralelo nas nações desenvolvidas.
Livre iniciativa, subsidiariedade e solidariedade
A palestra aprofundou a relação entre o desenvolvimento econômico e três princípios fundamentais para a ordem social:
Livre Iniciativa: A liberdade do indivíduo e do produtor de empreender, criar e cultivar a terra sem a tutela sufocante do Estado. É o esforço pessoal e o risco assumido pelo agricultor que geram riqueza e garantem a abundância de produtos no mercado, demonstrando que a prosperidade nasce do trabalho humano soberano.
Subsidiariedade: O princípio de que o Estado não deve tomar para si o que as famílias, cooperativas e empresas locais têm capacidade de realizar por conta própria. A função do poder público é amparar e proteger o direito de propriedade, permitindo que a própria sociedade civil organize a produção de forma autônoma e eficiente.
Solidariedade: A compreensão de que a atividade econômica possui uma finalidade humana superior. O trabalho no campo não visa apenas ao lucro, mas cumpre o dever moral de alimentar populações, gerar empregos com dignidade e garantir a estabilidade das famílias tanto no meio rural quanto nas cidades.
Consciência sobre a produção nacional
O encontro evidenciou a necessidade de aproximar os centros urbanos da realidade do interior do país. O consumo diário de alimentos nas cidades é viabilizado por uma estrutura logística complexa, que demanda investimentos contínuos em infraestrutura, biossegurança e gestão de riscos.
Apreciar o setor produtivo nacional é um ato de sobriedade e independência intelectual. Longe de polarizações conjunturais, a capacidade agrícola do Brasil constitui um patrimônio real, cuja preservação exige o fortalecimento da livre iniciativa, o respeito às leis e o reconhecimento do trabalho de quem produz.
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